Destinos que integram natureza, cultura, gastronomia e bem-estar atraem visitantes qualificados, geram empregos e ampliam oportunidades nas comunidades
Viajar deixou de significar apenas conhecer um novo lugar. Cada vez mais, os visitantes procuram turismo de experiências autênticas, capazes de aproximá-los da natureza, da cultura, da gastronomia e das pessoas que formam a identidade de cada destino.
Ao integrar hospitalidade, alimentação, cultura, saúde e preservação ambiental, os destinos geram oportunidades para empresas, produtores rurais, profissionais da cultura, prestadores de serviços e comunidades locais. Essa mudança de comportamento fortalece a chamada economia da experiência e amplia o potencial turístico do Paraná.
Uma trilha pode promover conhecimento sobre biodiversidade. Uma refeição preparada com ingredientes locais pode valorizar produtores e tradições. Atividades culturais e práticas de bem-estar podem criar conexões que permanecem na memória mesmo depois do fim da viagem.
Esse modelo atrai um público interessado em sustentabilidade, qualidade de vida, cultura e serviços especializados. São visitantes que desejam compreender o território, permanecer por mais tempo e consumir produtos e serviços vinculados à região.
Bem-estar conectado ao território
Localizada no município da Lapa (PR), a Lapinha Spa é um exemplo de como saúde, natureza e hospitalidade podem contribuir para o desenvolvimento regional. Fundada em 1972, a instituição combina alimentação orgânica, atividades culturais, contato com a natureza e protocolos de saúde preventiva. A operação é conduzida por Margareth Brepohl, CEO da Lapinha, psicóloga clínica e terapeuta familiar, que atua há mais de três décadas no aprimoramento dos serviços do spa. “São experiências que causam impacto transformador nas pessoas”, afirma Margareth.
Entre as atividades oferecidas estão o banho de floresta em trilhas cercadas por vegetação nativa, práticas de conscientização sobre a preservação da mata com araucárias, além de refeições orgânicas de origem vegetal, preparadas com alimentos que seguem da horta para o prato.
A programação também reúne tratamentos com água, massagens, saunas integradas à natureza, concertos de câmara e experiências sonoras voltadas ao relaxamento. “O ambiente, a atmosfera, a infraestrutura e os protocolos de saúde e bem-estar são orquestrados harmonicamente, produzindo uma linda sinfonia”, resume a CEO.
Impacto além da hospedagem
A contribuição da Lapinha ultrapassa a experiência dos hóspedes. Segundo Margareth, a instituição participa do desenvolvimento da comunidade desde sua fundação, quando colaborou para a chegada de energia elétrica e telefonia à região. Mais recentemente, também passou a compartilhar o acesso à sua rede de fibra óptica com moradores do entorno.
Atualmente, o empreendimento gera 170 empregos diretos, além de postos indiretos relacionados a fornecedores e serviços. A formação de profissionais da comunidade também contribui para que famílias de pequenos agricultores permaneçam em suas propriedades.
Turismo de experiências como estratégia
O Paraná reúne ampla diversidade natural, cultural e gastronômica, porém o desafio está em transformar esses ativos em experiências conectadas entre si. Hospedagens podem incorporar produtos de agricultores próximos e trilhas são uma possibilidade de apresentar informações sobre a história e a biodiversidade local. Outro exemplo são as programações culturais que, quando vinculadas ao turismo de experiências, abrem espaço para artistas, músicos e artesãos da região.
Quando essa integração acontece, o visitante encontra uma experiência mais completa e a comunidade participa de forma mais ativa dos resultados econômicos.
Ao mesmo tempo, cresce a procura por destinos silenciosos, contato com a natureza e práticas preventivas de saúde. Para Margareth, essa tendência está associada ao desejo de alcançar uma vida mais longa, saudável e independente, uma busca que ela define como “longevidade com autonomia”.
Atrair visitantes qualificados não se limita a apenas receber pessoas com maior poder de consumo, já que envolve ainda criar experiências com valor, capazes de estimular permanências mais significativas e beneficiar uma rede ampla de profissionais e negócios. Por isso, o desenvolvimento turístico não deve ser medido somente pelo número de visitantes, em vez disso, é necessário considerar os empregos criados, as empresas fortalecidas, a cultura valorizada e os recursos naturais preservados.