Debate sobre inteligência artificial, cultura e liderança trouxe reflexões práticas para os associados e mostrou que tecnologia precisa estar conectada a propósito e estratégia
A inteligência artificial já faz parte da realidade das empresas. Mas, antes de perguntar qual tecnologia adotar, uma questão ainda mais importante precisa ser respondida: qual problema queremos resolver e que valor queremos gerar?
Essa foi uma das principais reflexões da 4ª CEO Conference AHK Paraná, realizada no dia 3 de setembro, em Curitiba. Com o tema “O Match: IA e Humanização”, o encontro reuniu lideranças empresariais para discutir os impactos da inteligência artificial nos negócios e, principalmente, o papel das pessoas diante dessa transformação.
Ao longo da tarde, especialistas de diferentes áreas mostraram que a adoção da IA envolve muito mais do que tecnologia. Cultura organizacional, processos, capacitação, governança, pensamento crítico e capacidade de decisão aparecem como elementos fundamentais para transformar inovação em resultado.
Antes da IA, vem a cultura
Para Fernando Borer, vice-presidente de Manufatura e diretor Técnico da Bosch Curitiba, além de vice-diretor da AHK Paraná, um dos principais méritos da conferência foi justamente ampliar a discussão para além do fascínio provocado pelas novas ferramentas. “A questão da IA tem esse impulso de se querer fazer tudo com ela. Virou moda. E foi muito bacana ver que existem princípios anteriores de cultura, de definição de processo, que vem muito antes e são base para a implementação das inteligências generativas,”conta.
Na avaliação de Borer, a tecnologia precisa estar a serviço de uma finalidade clara. “A IA tem que ter um propósito. Ela é uma ferramenta e não se sustenta sozinha. O que a IA pode gerar de mais valor para seu cliente? O que você pode ganhar com competitividade? São perguntas que devemos fazer ao analisar esse impacto”, acrescenta.
A reflexão resume um dos principais pontos levantados durante a conferência. Para gerar resultados, a tecnologia precisa estar conectada às necessidades do negócio e apoiada por processos e pessoas preparadas.
A ideia também apareceu na apresentação de Afonso Lamounier, vice-presidente para Assuntos Corporativos da SAP América Latina. Para o executivo, a IA pode cumprir tarefas e automatizar processos, mas a direção continua sendo uma responsabilidade humana.
Entre as competências que ganham valor nesse cenário estão o pensamento crítico, criatividade, empatia e julgamento ético. Lamounier também provocou os líderes a refletirem se a IA já está efetivamente na pauta estratégica de suas organizações ou se continua restrita à área de tecnologia.
Uma das mensagens deixadas pelo executivo sintetiza essa mudança de perspectiva. “O futuro é feito por pessoas que decidem bem, com ou sem IA.”
Para os líderes, isso significa compreender a tecnologia, preparar as equipes, estabelecer critérios de uso responsável e criar condições para que a inteligência artificial seja incorporada de maneira segura e estratégica.
Da discussão para a realidade das empresas
Entre os associados que participaram da conferência estava Gilson Barcik, diretor geral da Witzenmann do Brasil, que destacou justamente a importância de colocar as pessoas no centro ao iniciar um projeto. “É preciso pensar nas pessoas antes da IA. A cultura da empresa deve estar bem preparada para poder iniciar um projeto com a ferramenta e pensar em como aplicar”, analisa.
A percepção de Barcik mostra como o conteúdo discutido ultrapassa o ambiente da conferência e chega à rotina das organizações. Mais do que acompanhar uma tendência, as empresas precisam avaliar sua própria maturidade, os processos e a preparação de seus profissionais.
Networking que gera novas possibilidades
Além do conteúdo, a CEO Conference reforçou outro aspecto essencial da atuação da AHK Paraná, de aproximação entre empresas e lideranças. Fernando Borer destacou a interação entre os participantes, a troca de perspectivas e a possibilidade de construção de oportunidades futuras. “Nesse network, troca de cartões, pessoas analisando perspectivas, criando oportunidades de negócio para o futuro, é assim que avalio um evento positivo. E foi isso que vimos aqui”, esclarece.
Para Dario José Zampol Sanches, da KLINQ Soluções e Consultoria, nova associada da AHK Paraná, essa conexão já começou a gerar resultados durante o próprio evento. Com experiência anterior em empresas alemãs e atuação em consultoria de processos industriais, Dario participou pela primeira vez de um evento da Câmara. “Eu achei sensacional. O preparo dos palestrantes, a visão prática, as experiências trazidas, um tema muito novo que não existe ainda em literatura. As informações que temos são essas, das pessoas que já estão lidando com isso e que possuem essa prática e compartilham conosco”, conta Sanches.
O novo associado resume a experiência de forma espontânea: “Eu saio daqui com o bolso cheio de ideias.”
Uma discussão para continuar depois do evento
A CEO Conference terminou, mas as questões colocadas ao longo da tarde permanecem abertas para as empresas. Como preparar as equipes? Onde a IA pode gerar valor? Quais processos precisam ser revistos? Como garantir segurança e uso responsável? E, principalmente, como aproveitar a tecnologia sem deixar de lado aquilo que diferencia as organizações, ou seja, as pessoas, a cultura e o propósito. O “match” entre IA e humanização significa fazer com que as duas forças trabalhem juntas para construir empresas mais competitivas, inovadoras e preparadas para o futuro.
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