Formação profissional em Indústria 4.0 avança no Paraná

DeBernt e AHK Paraná impulsionam a qualificação prática em automação e inteligência artificial

A formação profissional em automação, inteligência artificial e indústria 4.0 tem avançado no Paraná a partir de iniciativas lideradas por empresas associadas à AHK Paraná, que atuam diretamente na qualificação prática de profissionais e na integração entre indústria, tecnologia e educação. O movimento responde a uma demanda do setor produtivo por mão de obra preparada para ambientes industriais cada vez mais automatizados, conectados e orientados por dados.

Segundo Rafael Santiago, sócio-diretor da DeBernt, o principal desafio não está apenas no acesso à inovação, mas na capacidade de aplicá-la de forma consistente no chão de fábrica.

“As lacunas mais frequentes estão em saber aplicá-la em processos industriais reais. Integração entre automação e sistemas, uso confiável de dados, inteligência artificial aplicada com foco em resultado e cibersegurança industrial ainda são gargalos importantes”, afirma.

No Paraná, apesar de um ecossistema estruturado de formação, com iniciativas do SENAI e do Sistema Fiep, o desafio passa por escala e velocidade. “É preciso formar mais profissionais, em menos tempo, com prática e vivência em ambientes produtivos reais, acompanhando a aceleração da automação, da IoT (Internet das Coisas) e da robótica”, explica Santiago.

Formação prática orientada à indústria 4.0

A experiência da DeBernt aponta que os melhores resultados surgem quando o desenvolvimento combina capacitação técnica com projetos aplicados. Na prática, isso envolve trilhas estruturadas em robótica, redes industriais, sensores, manutenção e qualidade digital, sempre com carga prática em ambientes de manufatura avançada.

“Trabalhamos com projetos reais, com metas claras de desempenho, como eficiência operacional, redução de refugo, consumo energético e lead time. Isso forma profissionais orientados a resultado, não apenas a certificados”, destaca o executivo.

Outro ponto central é a atualização contínua dos profissionais que já atuam na indústria. “Boa parte do gap está em quem já opera e mantém a planta. O upskilling, que é o aprimoramento de competências já existentes, e o reskilling, voltado à requalificação para novas funções, são fundamentais para acompanhar a evolução tecnológica”, afirma.

A aproximação entre empresas, instituições de ensino e o ecossistema industrial também acelera a formação de talentos. Segundo Santiago, esse modelo reduz o tempo entre aprendizado e geração de valor.

“Quando empresas e instituições trabalham juntas, o currículo passa a ser guiado por demandas reais da indústria. Os profissionais aprendem com desafios concretos, dados reais e restrições legítimas de produção e segurança”, explica.

Parcerias com estruturas do ecossistema local, como iniciativas desenvolvidas com apoio do SENAI, permitem ampliar escala, padronizar qualidade e viabilizar o acesso a laboratórios, plantas-piloto e hubs tecnológicos. O resultado é uma capacitação mais conectada às necessidades do mercado e uma empregabilidade mais rápida, por meio de estágios, aprendizagem industrial e trilhas co-desenhadas com as empresas.

Para Augusto Michells, Gerente Regional da AHK Paraná, iniciativas como essa reforçam o papel dos associados como protagonistas no desenvolvimento industrial e tecnológico do Estado, além de fortalecerem o alinhamento com padrões adotados pela indústria alemã. “Essas ações mostram como a qualificação profissional, aliada ao uso eficiente de tecnologia, dados e automação, contribui diretamente para a competitividade da indústria paranaense”, explica.


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