Liderança inclusiva transforma diversidade em pertencimento e resultados

Evento do Comitê de Diversidade, Equidade e Inclusão reuniu profissionais para refletir sobre cultura, preconceito e o papel das lideranças na construção de ambientes mais inclusivos

Como transformar a pluralidade de perfis da equipe em pertencimento, participação e resultados? Essa foi uma das principais questões discutidas no encontro “Liderança Inclusiva: transformando diferenças em resultados”, promovido pelo Comitê de Diversidade, Equidade e Inclusão da AHK Paraná, no dia 8 de outubro, em Curitiba.

Conduzido por Yvy Abbade, presidente da Unilehu, o encontro propôs uma reflexão sobre o papel da gestão na construção de ambientes mais diversos e inclusivos e sobre como essa mudança pode sair do discurso e chegar à prática das organizações.

Para Yvy, a proposta foi provocar os participantes a olhar para a liderança inclusiva de uma maneira aprofundada, pensando não apenas em conceitos, mas em planejamento, cultura e metas. “Quisemos trazer o tema da liderança inclusiva, mas principalmente as perguntas: qual é o papel desse líder para se tornar inclusivo? Quais são as estratégias, quais são os resultados que podem ser alcançados como uma mudança de visão de cultura e como isso pode ser implementado na prática?”, comentou.

A palestrante também destacou que um dos desafios percebidos durante o encontro foi justamente a mudança cultural dentro das empresas, e, em uma perspectiva mais ampla, na própria sociedade. Segundo Yvy, discutir inclusão significa reconhecer diferentes experiências e perspectivas e enfrentar preconceitos e discriminações que ainda estão presentes no cotidiano. “Eu acho que a gente sai daqui muito feliz de ter deixado uma semente de desconforto, porque esse é o nosso papel, gerar um pequeno desconforto para provocar uma reflexão e uma mudança não só de atitude, mas uma mudança de pensamento sistêmico.”

Quando a inclusão deixa de ser apenas um conceito

A programação também trouxe exemplos práticos sobre o papel de diferentes níveis da organização na construção de uma cultura inclusiva. Entre os pontos apresentados, estiveram as responsabilidades da alta gestão, dos responsáveis por Recursos Humanos, das lideranças e dos colaboradores. A discussão reforçou que a inclusão não depende de uma única área, mas de um compromisso compartilhado dentro da empresa.

Também foram abordados temas como linguagem inclusiva, identificação e remoção de barreiras, acessibilidade, participação e valorização de diferentes vozes nos processos de decisão. A proposta é que a diversidade não seja tratada apenas como uma obrigação ou um desafio operacional, mas como uma oportunidade de ampliar perspectivas e fortalecer as relações dentro das organizações.

Para Denise Oliveira, da área de Recursos Humanos da Tesa, associada da AHK Paraná, um dos principais diferenciais do encontro foi justamente a possibilidade de reunir profissionais que enfrentam desafios semelhantes no dia a dia. “Cada um traz uma experiência diferente, às vezes traz uma ideia diferente para problemas que são comuns. Então eu estou super animada e gostei muito das trocas hoje e muito animada pelas próximas.”

Entre os momentos que mais a impactaram, Denise destacou o depoimento de Henry Xavier, participante do encontro, ao abordar situações de preconceito que podem aparecer até mesmo de maneira inconsciente nos processos de seleção. Para ela, ouvir o relato de quem vivencia essas situações cotidianamente trouxe uma perspectiva diferente para uma discussão que já faz parte de sua atuação profissional. “Quando a gente escuta uma pessoa que vive isso no dia a dia, toca demais. Esse momento de ouvir o Henry, vou levar comigo.”

Diversidade como parte da cultura das empresas

À frente do Comitê de Diversidade, Equidade e Inclusão da AHK Paraná, Claudia Celli Cadenas, fundadora e CEO da Via Humana, destaca que ainda existe um longo caminho para que diversidade e inclusão estejam plenamente incorporadas às organizações. Para ela, o primeiro passo é ampliar a conscientização e superar a ideia de que trabalhar com diversidade significa apenas lidar com dificuldades. “As pessoas quando falam em diversidade e inclusão, olham a dificuldade, o trabalho, como que eu vou me integrar. Mas é só você conviver com essas pessoas, para a gente ser um ser humano melhor, e olhar para esse diverso, essa pluralidade do mundo também.”

O encontro também encerrou a programação de 2026 do Comitê de Diversidade, Equidade e Inclusão da AHK Paraná. Para o próximo ano, Claudia adianta que a intenção é aumentar ainda mais a participação e a troca de experiências. Entre as possibilidades estão ações de letramento sobre diversidade e inclusão, apresentação de cases empresariais, rodas de conversa e visitas a empresas que já desenvolvem iniciativas na área. Para a AHK Paraná, iniciativas como essa também fortalecem a troca entre os associados e ajudam a levar para o ambiente empresarial discussões que fazem parte dos desafios atuais de gestão de pessoas.


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