Nova era de comércio com a Alemanha traz ganhos para empresas da Região Sul


Acordo UE-Mercosul reposiciona o Brasil no comércio global e alemães enxergam oportunidades

A Alemanha aposta na América do Sul como alternativa a mercados tradicionais e vê no Brasil um parceiro estratégico. Mas por que este acordo é visto como ponto de virada para o setor produtivo e o que isso tem a ver com as empresas do Paraná e de Santa Catarina?

Após mais de 20 anos de negociações, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul está mais próximo de sair do papel. E, na Alemanha, o tema voltou com força à pauta econômica, tanto na imprensa quanto entre lideranças industriais. Para o governo e entidades empresariais alemãs, trata-se de uma das negociações comerciais mais ambiciosas já conduzidas pela União Europeia, e que pode redefinir o posicionamento da região nas cadeias globais de valor.

O tom dos experts econômicos é claro, o acordo é visto como alternativa para reduzir a dependência da Europa em relação à Ásia, diversificar mercados de exportação e fortalecer parcerias com países que compartilhem valores como estabilidade política e compromisso ambiental. O Brasil, parceiro de longa data das companhias alemãs, aparece no centro do movimento, não só por sua escala e capacidade produtiva, mas pela possibilidade concreta de ampliar sua integração com uma das regiões mais relevantes do comércio mundial.

Do ponto de vista da Alemanha, a expectativa é que até 90% das tarifas de importação e exportação entre os blocos sejam gradualmente eliminadas, o que deve gerar economia significativa para empresas exportadoras, cerca de 4 bilhões de euros ao ano, segundo a Bundesverband der Deutschen Industrie (BDI). Entre os setores mais beneficiados estão os automóveis, máquinas, equipamentos industriais, produtos químicos, farmacêuticos e serviços especializados, todos com presença expressiva no mercado brasileiro e, em especial, no Paraná e Santa Catarina.

Mais de 12 mil empresas alemãs já exportam para o Mercosul, sendo a maioria de pequeno e médio porte. Somente essas relações comerciais sustentam mais de 240 mil empregos diretos na Alemanha. Agora, com a redução das barreiras técnicas, maior previsibilidade regulatória e acesso ampliado a licitações públicas, a tendência é que o interesse alemão na América do Sul se intensifique e se torne mais tangível por meio de investimentos, alianças e transferência de tecnologia.

O Paraná, com sua base industrial diversificada, presença de multinacionais, centros tecnológicos e um histórico consistente de cooperação com a Alemanha, tem posição privilegiada nesse cenário. Empresas instaladas em cidades como Curitiba, São José dos Pinhais, Londrina, Ponta Grossa e Maringá já operam em cadeias globais que envolvem o setor industrial alemão. Agora, essas conexões podem se fortalecer ainda mais com o novo ambiente de comércio, especialmente em áreas como mobilidade elétrica, automação, engenharia de precisão, biotecnologia e energias renováveis.

Para o país, o Mercosul representa uma chance real de reequilibrar o comércio global, num momento em que a Europa busca parceiros confiáveis. E isso implica, por parte das empresas brasileiras, uma postura ativa de compreensão e aplicação dos termos do acordo, identificar nichos com potencial, investir em conformidade técnica e em estratégias comerciais voltadas ao padrão europeu.

Embora o tratado ainda esteja em processo de ratificação nos parlamentos europeus, a sinalização política é de avanço. A União Europeia, pressionada por uma nova realidade geopolítica, quer garantir acesso a mercados que ofereçam estabilidade institucional e potencial produtivo. O Brasil, nesse contexto, surge como opção estratégica, e a Região Sul, com sua estrutura produtiva madura e abertura ao investimento estrangeiro, pode se tornar um dos protagonistas dessa nova fase do comércio internacional.

Para os empresários atentos, o momento exige leitura de cenário e ação antecipada. O Acordo UE–Mercosul não é apenas uma mudança de tarifas; trata-se da reconfiguração das relações econômicas entre blocos inteiros. E quem estiver preparado para ocupar esse espaço desde já poderá colher frutos relevantes em competitividade, inovação e presença global nos próximos anos.

Quer saber mais sobre o impacto do tratado na economia alemã e nas relações com o Paraná e Santa Catarina? Leia as matérias na íntegra nos sites da imprensa alemã https://bit.ly/4ohWv78, https://bit.ly/4hyqNzZ e https://bit.ly/4nuaF3M e https://bit.ly/3LekuFx.

* Matéria escrita pela correspondente da AHK Paraná, Silvana Piñeiro, jornalista que mora há 7 anos em Osnabrück, norte da Alemanha.


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