Especialista da Meister Engenharia do Trabalho explica como usar ferramentas digitais sem perder a análise personalizada
Quando se fala em tecnologia e saúde no ambiente de trabalho, é comum tratar os temas de forma isolada. Para Rodrigo Meister de Almeida, especialista em Prevenção de Passivos em Segurança e Saúde do Trabalho da Meister Engenharia do Trabalho, essa separação faz com que empresas percam oportunidades de otimizar controles, organizar informações e prevenir riscos de forma mais inteligente.
A tecnologia torna a gestão eficiente, mas não substitui a análise humana. “A tecnologia ajuda como ferramenta, mas o raciocínio e a necessidade da empresa devem ser percebidos com observação dos fatores humanos, e isso tem que ser feito por pessoas”, ressalta Meister.
Um dos principais desafios atuais das organizações é compreender a NR-1 de maneira ampla, evitando que as discussões fiquem restritas apenas aos fatores psicossociais. Embora importantes, esses elementos integram uma estrutura maior de gestão que exige mapeamento completo e definição de prioridades.
Aplicações práticas como questionários e diagnósticos digitais auxiliam a levantar dados, mas não resolvem o problema sozinhos. “O nosso maior desafio é fazer o cliente entender que não é aplicando um questionário que vai resolver a demanda, mas sim estruturando a empresa com as políticas necessárias”, aponta o especialista.
Na prática, a tecnologia simplifica a rotina e garante registros confiáveis para a empresa. Entre os fatores psicossociais, Meister destaca a utilização de softwares e links baseados em protocolos internacionais (Chile e Europa) para compilar respostas de colaboradores e gestores. Já para o controle operacional, sistemas digitais para monitorar a entrega e substituição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e acompanhar a manutenção de máquinas e equipamentos. Sem o uso dessas ferramentas, a gestão de evidências torna-se pesada e suscetível a falhas.
Apesar dos avanços tecnológicos, a análise das necessidades específicas de cada cliente mantém um caráter artesanal e personalizado. A tecnologia atua como meio para organizar informações, enquanto a tomada de decisão depende de profissionais preparados. Dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), o foco deve ser a priorização com base na probabilidade e gravidade de cada fator: a proteção de máquinas e equipamentos, a proteção auditiva e EPIs, e a organização do trabalho e fatores psicossociais. “Tudo tem que ser feito, mas precisa ser priorizado no programa de gestão. É isso que a NR-1 faz e é isso que o PGR tem que entregar”, sintetiza Meister.