O que o Brasil tem a ver com o Volkswagen Santana chinês?

Veículo já foi o “queridinho” dos chineses, graças aos brasileiros

Um país exportador de carros elétricos, altamente competitivos, que vêm desestabilizando o mercado automotivo internacional. Assim se posiciona a China, um player contra o qual é difícil de concorrer quando o assunto é inovação automotiva. Mas nem sempre foi assim! Os chineses tiveram como professores, alemães e brasileiros na década de 80.

O modelo Volkswagen Santana, lançado na Alemanha em 1981, um Passat de luxo com porta-malas em formato sedã e motor cinco cilindros que nunca fez muito sucesso em solos europeus, foi o primeiro automóvel de uma marca estrangeira lançado na China.

O veículo se tornou o “carro do povo”, sendo possível encontrar exemplares circulando pelas cidades chinesas até hoje. Isso só foi possível, graças aos brasileiros. Em 1984, um grupo de 30 executivos e engenheiros da Volkswagen do Brasil desembarcou em Xangai para ensinar os chineses a fabricar carros modernos, no caso, o sedã Santana.

A linha de montagem, localizada em uma fábrica de caminhões de marca chinesa que tinha fechado uma parceria com a fabricante alemã, era precária, mas os chineses queriam, de qualquer forma, aprender a fabricar carros. Como a produção na Alemanha, já naquela época, usava robôs e muita automação, a solução foi realocar profissionais da unidade brasileira, que tinham acabado de passar por um processo de nacionalização do modelo.

Na época, não havia nem hotéis para hospedagem de tantas pessoas, faltava saneamento básico, a estrutura de Xangai era muito rústica, se comparada com a Europa e, até mesmo, com São Paulo daquela época. Mas tratava-se de uma missão de pioneiros, então o jeito foi alugar uma casa para a equipe. “Podíamos ensinar melhor. Tínhamos mão de obra bem qualificada e estávamos acostumados com uma produção pouco automatizada”, revelou Wolfgang Sauer, ex-presidente da VW do Brasil em entrevista para o jornal O Globo em 2007.

As negociações iniciais foram difíceis e envolveram o alto escalão da Volks e o ministério da indústria chinês. Sauer lembrou que o ministro chegou a ir até o Brasil negociar a viabilidade da missão. O lado positivo é que havia uma universidade técnica em Xangai e muitos estudantes falavam alemão, o que facilitou a comunicação.

Após meses de treinamentos, montagem de algumas centenas de kits CKD e uma grande ação de organização na fábrica, o primeiro Santana produzido na China saiu da linha de montagem em setembro de 1985, exatos 39 anos atrás.

E assim, brasileiros e alemães foram os primeiros estrangeiros a fabricar automóveis na China. Naquela época, não era permitido particulares comprarem automóveis no país asiático, então o Santana era usado apenas em serviços públicos, por empresas estatais, ou como táxis. Somente em 1990, os chineses puderam, finalmente, comprar seus próprios carros, foi quando a produção explodiu.

Ele se tornou um símbolo de confiabilidade e acessibilidade no país, conquistando uma grande base de consumidores. Em 1980, apenas 5.148 automóveis foram fabricados na China. No ano 2000, a produção atingiu 604.677 unidades — um aumento de 11.645% em 20 anos. E o crescimento continuou acelerado: em 2010, 13 milhões de carros foram fabricados no país asiático.

Uma série de novos modelos e reestilizações exclusivas para o mercado chinês foi lançada ao longo dos anos, até que, em 2023, a Volkswagen perdeu a sua liderança de mercado para a BYD pela primeira vez em décadas. Quer saber mais sobre o mercado automotivo chinês e a influência teuto-brasileira? Acesse o link e leia a matéria original em alemão https://bit.ly/3ZtTEOK.


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