Reforma tributária já exige mudanças nas empresas

Mudanças com IBS e CBS afetam sistemas inteiros e devem ser encaradas como uma transformação do negócio, avalia especialista da KPMG

Embora a transição da Reforma Tributária em 2026 se estenda até 2032, este ano já marca uma etapa importante de preparação para as empresas. A adaptação dos documentos fiscais à CBS e ao IBS é apenas uma das mudanças previstas. Os impactos também alcançam sistemas, contratos, fornecedores, formação de preços e fluxo de caixa.

Segundo Mauro Sergio Bessa Filho, Partner, TAX da KPMG Assessores Ltda., empresa associada à AHK Paraná, um dos principais cuidados é não tratar a reforma como uma questão restrita às áreas fiscal e contábil. “Mais do que uma mudança tributária, a reforma representa uma transformação na forma como as empresas operam e se relacionam com clientes, fornecedores e autoridades fiscais”, afirma.

Mudanças envolvem diferentes áreas

Na tecnologia, será necessário adaptar sistemas de recepção, processamento e emissão de documentos fiscais. Compras e suprimentos deverão avaliar fornecedores também sob a ótica tributária, já que a conformidade pode afetar o aproveitamento de créditos.

Os contratos também deverão ser revistos, enquanto as áreas comercial e financeira terão de avaliar reflexos sobre preços, margens, lucratividade e caixa. “A Reforma Tributária deve ser tratada como um projeto estratégico, envolvendo toda a organização”, destaca Bessa Filho. A capacitação das equipes será essencial para garantir a aplicação correta das novas regras.

A nova sistemática de IBS e CBS prevê um aproveitamento mais amplo de créditos ao longo da cadeia econômica. O modelo tende a aumentar a transparência e reduzir algumas distorções existentes, mas também traz novos pontos de atenção. Entre eles estão o impacto sobre o fluxo de caixa e a necessidade de acompanhar a regularidade tributária dos fornecedores.

Os efeitos, porém, variam conforme o setor, o modelo de negócio e a estrutura de cada empresa. Por isso, uma análise individualizada é importante para identificar riscos e oportunidades.

Para o especialista, um dos principais erros durante a transição é deixar as adequações para mais tarde. “As empresas que postergarem a análise desses impactos poderão enfrentar custos adicionais, dificuldades operacionais e perda de competitividade”, alerta.

As organizações mais preparadas já estão realizando diagnósticos, revisando processos e estruturando planos para os próximos anos. Mesmo com pontos ainda pendentes de regulamentação, antecipar estudos pode aumentar a previsibilidade. “A antecipação dos estudos permite reduzir riscos e preparar o negócio para o novo ambiente tributário”, conclui Bessa Filho.


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